Músicas

4 de fev de 2010

Crítica da música None of You

A cantiga ofertada,assoma-se assaz interessante por diversos motivos.Como manda o bom-senso,decomporei a análise em setores a fim de facilitar o processo crítico como um todo.Vamos, portanto,a analítica...



Do ponto-de-vista estilístico,a sonoridade detém uma sensação sessentista do "blues" remetendo-nos a um mais contido "staccato" de Magic Sam e ao "feeling rocker" dum tardio Muddy Waters.Sem dúvida,alguns elementos melódicos vocais unidos ao único "solo" guitarrístico da canção,trazem-nos algo do "southern rock" mais melífluo que imperou no cenário musical norte-americano durantes os anos de 1980.Aqui,temos algo que,se no essencial,não corresponde a um vanguardismo sonoro descortina,pelo menos,uma motivação seletiva e jubilosa na escolha daquilo que se encerrará na execução do conjunto.



A "cozinha" trabalha com uma grande coesão.A bateria emula sons simples aptos a mais acompanhar, marcar o tempo e pontuar sem grandiloqüência o desvelar da banda,dessarte demonstra precisão na sua "escolha de aparecimento" justamente numa época(últimas três décadas) aonde uma procura excessiva por virtuosismo rítmico leva-nos a composições "titanomáquicas",disformes musicalmente.Sua "humildade" de recursos,extrai o máximo de expressão na sua batida levemente lúgubre,contida e com um toque "spleen" perfeito ao tom genérico da música.



O baixo possui uma entrada tanto quanto súbita na canção já que,segundo se pode entrever,exerceria um potencial de afecção e "circularidade" maior se,desde os primeiros acordes da guitarra,acompanhasse-a num diálogo similar ao que visou estabelecer a posteriori quando de seu surgir na tessitura musical.Com exceção deste dado,mais ligado ao "timing" do que a ação baixista "per se",o instrumentista age com precisão dando uma tonalidade que se não abusa do "groove" típico dos primeiros "blues" elétricos sabe dar a flexibilidade, dedilhar dançante e marcado do "rock" da segunda geração(décadas de 1960 e 1970).A afinação do baixo-elétrico encontra-se mui precisa,sendo um dos pontos altos na técnica do "Walikng Blues"...



Os vocais revelam uma prosódia limpa do Inglês sem,contudo,soarem artificiais como se empreendidos por um "tradutor-juramentado" do "IBEU",pois que possui uma personalidade que capta as nuanças próprias duma leve depressão acalentada em ambientes obscuros,enevoados por tabaco e alimentados por doses paulatinas e copiosas de "bourbon".Os coros que acompanham tal "lead vocal",adicionam o supracitado adjetivo mais "southern rock",enriquecendo com modéstia valiosa o fruir vocal como um todo.



A letra de "None of you" pôde,graças a tapeçaria sonora equilibrada e bem gravada unida a um vocalista pouco burlesco nas pronúncias,ser apercebida sem maiores dilemas.Não há muito o que dizer exceto que mana de um encerro corriqueiro no cancioneiro "bluesy" desde as durações acústicas do estilo.Decerto,nada magníficas,contudo não comprometem à medida em que se fazem emblemáticas ao principal estilo que alicerça a proposta musical do "Walking Blues".



O setor de cordas(guitarra) detém pouquíssimo a-se-palrar fora do já exposto no primo parágrafo da presente e,sem dúvida alguma,lépida resenha.Seu maior mérito ocorre - vale-se mencionar - na "arte de saber ceder" aos outros instrumentos e partições temporais da música.Vide como exemplo os 2'29" da canção,nos quais o "solo" sabe deslizar com galhardia e sem sobressaltos de sua posição de destaque para dar passagem ao coro que retoma a sensação vocalizada primordial da cantiga.



Cômputo cabeiro,"None of You" do "Walking Blues" é uma experiência estilisticamente nostálgica de épocas mais serenas,emotivas e expressivas do "blues/rock" sem,com isto,soar datada,forçada ou apenas referencial ao conjunto,vasto e sólido,de influências musicais dos membros da banda.A única tristeza que fica,decerto,trata-se de não termos mais pérolas musicais da formação para degustarmos nesta época tão musicalmente exangue e insossa...



Amplexos "Blues",


Crítico Musical Zarco

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by Helton Ribeiro